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Reforma Tributária: o que muda para o pequeno empresário e o Simples Nacional

24 de fevereiro de 2026
Jornal Contábil

A Reforma Tributária, que cria o IBS e a CBS (o novo “imposto sobre o consumo”), vai muito além de uma mudança de nomes. 

Para quem é dono de micro ou pequena empresa, a regra do jogo mudou: agora, o imposto que você paga (ou deixa de pagar) afeta diretamente a decisão de compra do seu cliente.

 O sistema passa a funcionar como uma corrente, onde o crédito do imposto precisa fluir de uma empresa para a outra sem travas.

O modelo tradicional do Simples Nacional foi desenhado para ser um facilitador: tudo é pago via boleto único (DAS). Dentro dessa lógica, saber exatamente quanto de imposto cada peça ou serviço carregava individualmente era irrelevante, pois o que importava era o valor total unificado na guia mensal

Até hoje, estar no Simples Nacional era como viver em uma bolha protegida. O problema é que, no novo sistema, essa facilidade pode virar uma armadilha. Empresas maiores, que compram de pequenos negócios, agora querem “recuperar” o imposto pago na compra. 

Se você está no Simples tradicional, o crédito que seu cliente recebe é menor. Na prática, isso faz com que o seu produto pareça mais caro para ele do que o de um concorrente que não é do Simples.

 

Desafios

Para não perder clientes grandes, o governo criou uma saída: a opção híbrida. Nela, a empresa continua no Simples para os impostos internos (como o de renda), mas paga os novos impostos (IBS/CBS) por fora, como se fosse uma empresa grande. 

Isso permite que o seu cliente receba o crédito total e você continue competitivo. A questão é que isso exige um controle financeiro muito mais rígido. Não dá mais para fazer as contas “de cabeça” ou apenas uma vez por mês.

Uma das maiores novidades é o split payment. Imagine que, ao vender um produto, o sistema do banco já separa automaticamente a parte do imposto e a envia direto para o governo, depositando apenas o valor líquido na sua conta. 

Isso garante que o crédito seja real e evita fraudes, mas exige que a sua nota fiscal esteja impecável. 

Qualquer erro na descrição do produto ou no código tributário pode fazer com que o dinheiro fique travado ou que seu cliente perca o direito ao crédito, gerando brigas comerciais.

 

Organização agora é sobrevivência

Nesse novo cenário, o computador e o software de gestão viram as ferramentas mais importantes da empresa, tanto quanto o balcão ou a máquina de produção. A fiscalização agora é digital e acontece em tempo real. Erros bobos de preenchimento podem custar caro. 

Em resumo: a Reforma Tributária exige que o pequeno empresário se profissionalize digitalmente. A era do “jeitinho” ou da papelada bagunçada acabou; agora, a organização é o que vai definir quem continua no mercado.

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